Nascimento do Henrique – Parto Domiciliar Planejado

Nascentia Blog   •   Outubro, 2014

Um parto domiciliar maravilhoso que acompanhamos na madrugada do dia 22 de setembro. Henrique é um bebê de sorte, tem uma família linda que estava toda reunida para recebê-lo.
Mais fotos do parto na nossa fanpage: www.facebook.com/nascentiapdp

Equipe de Parto Domiciliar: Nascentia
Doula: Adéle Valarini
Fotos por Flavia Oliveira – Cia da Imagem

 

O relato por Verusca Faria

Pari! E, vou parir agora meu relato. Que já tá engasgado, posso na garganta, louco pra sair! Pari tanta coisa naquela madrugada de 21 para 22 de setembro. Pari meus medos, minhas concepções de que tudo seria como nos lindos vídeos que assisti pela internet, pari, também, as angústias e toda negatividade de várias pessoas que não entendiam o porquê da minha paciência, espera e vontade! A gravidez em si foi praticamente igual a última. Sem nenhum problema. Já sabia o parto que queria e assistindo ao Renascimento do Parto, decidi muito mais que a via, decidi a forma, o local. Seria em casa! Na nossa casa! “Tá louca?” várias pessoas pensavam, mas eu já decidida que era, nem me deixei abalar. A gravidez continuava tranquila e assim permaneceu até o dia certo! Já vinha com pródromos desde a semana anterior ao parto. Em um deles até acionei minhas lindas enfermeiras obstétricas que acompanhariam meu parto. Mas ledo engano, não era aquele dia. Mas tudo indicava que estava chegando! Eu feliz e ansiosa conversava com o Henrique, pedia que viesse, mas que esperaria seu tempo com todo prazer! Minha primeira filha, Beatriz, a luz de nossas vidas, veio tb através de parto normal, mas longe de natural. Dia 21 de setembro passei a manhã com contrações regulares de 10 em 10 minutos, que se repente, sumiram… Pensei: pronto, mais uma pegadinha! E desencanei… Passei o dia como outro qualquer. Chegava a noite, uma nove horas da noite, eu conversava ao telefone com minha madrinha, que queria notícias, e falava: “não, madrinha, ele tá sem pressa, mas acho que não passa de semana que vem!”. Desliguei o telefone e fui tomar banho… Um banho demorado, revigorante! Por volta de dez horas da noite as contrações voltaram, ritmadas em 10 minutos de intervalo. Já avisei a parteira. Meia hora mais tarde as contrações já vinham à cada 5 minutos. A parteira já estava à caminho! Quando ela chegou foi avaliar os batimentos: tudo Ok! As contrações já vinham 4 em 10 minutos. As coisas estavam andando muito depressa. Chegaram em seguida a outra parteira, a fotógrafa e minha doula. Meu esposo todo empolgado enchia a piscina, conversava com todo mundo e vez em sempre, vinha me fazer um carinho e me falar exatamente o que pejada ouvir. Como ele sabia disso? Não sei, e nunca imaginei que fôssemos nos conectar daquela forma. Daí em diante foram contrações e mais contrações, e em minha cabeça, o que confortava: uma a menos, tá chegando! As mais fortes me faziam gritar, minha doula me lembrava: vocaliza! E eu deixava fluir! Que delícia era vocalizar durante a expiração! Era melhor que expirar em si! Fui para o banheiro e já sentia uns puxos fracos e tentava, no meio de tanta dor, relaxar a pelve, deixar fluir! E fluía! Devagar sentia ele descendo. Cada contração mais forte ele vinha mais um pouco. Fui pra piscina! Entrei e as contrações já vinham uma atrás da outra. Nessa hora me desligava do mundo por pouco tempo, quando a contração vinha, voltava à realidade e já não conseguia me desconectar. Andava que não ia conseguir. Me perguntava porque tinha inventado aquilo! Rsrsrs… Mas ao mesmo tempo estava feliz! Estranho, né?! O Paulo ficou fora da piscina, atrás de mim, dando força e apoio! Como ele foi indispensável aquela hora! Os tão esperados puxou vieram, e vieram já com força! Quanta força eu tinha! De onde apareceu aquilo tudo?? Seu que à cada puxo, cada empurrão, sentia ele descendo. Me contorcia na piscina, gritava, gemia, tudo ao mesmo tempo. Não, não consegui parir como os vídeos que via na Internet! Minha leoa interior pedia movimento! E rugia! E fazia força! Em uma contração senti coroar, o círculo de fogo! Pedia ajuda! Como se alguém pudesse fazer alguma coisa por mim naquele momento que não fosse eu mesma! A cabeça ficou metade de fora, metade de dentro. O Paulo chorava. Mais uma contração senti a cabeça sair por completo. O Paulo chorava e repetia que ele tava vindo e que era lindo! Esperei a próxima contração e Henrique veio direto pro meu colo! Chorou quase nada e dormiu!! Eu não via mais nada ali, só eu e ele! E como era lindo meu filho! Que felicidade! Ficamos na piscina mais um tempo contemplando, nos conhecendo! Depois fomos para o sofá para receber a placenta, que demorou uma hora e meia mais ou menos para sair. O cordão parou de pulsar com mais de 20 minutos após o nascimento do Henrique! O pai cortou e me surpreendeu, pois passou a gravidez toda se achando incapaz disso. Comemos pão de queijo que mina mãe assou na hora, tomamos suco. Foi tudo tão perfeito! Henrique pesou 3,820 kg e mediu 52cm, e todos ficaram encantados com sua boca linda! Enfim, um relato comprido de um parto que durou cerca de 2 horas e meia. Parto tsunâmico, como disse minha doula!  De todas as coisas boas daquela noite, agora só me resta uma vontade… A de parir de novo!

Por |2017-06-01T23:03:20+00:001 de outubro de 2014|Artigo|