Nascimento da Elisa – Acompanhamento Pré Hospitalar

Nascentia Blog   •   Setembro, 2014

Ludmila nos procurou para o acompanhamento pré hospitalar do trabalho de parto. Ela desejava parir sua filha no hospital, mas queria ficar o máximo de tempo em casa possível. Elisa chegou em 29/07/14 em um parto respeitoso e cercada de amor <3

O relato de parto, por Ludmila Valadares:

Desde o inicio da gestação comecei a ler relatos de parto e sempre pensava em como seria o meu. Decidi pelo parto normal assim que engravidei. Informei meu medico de minha decisão e passei os nove meses seguintes me preparando para o trabalho de parto.  Com 34 semanas decidimos contratar uma enfermeira para ficar em casa quando sentíssemos que era a hora de Elisa nascer.  Meu medico me orientou a ir para o hospital apenas no final do trabalho de parto e assim me propus fazer. Sabia que a minha casa seria um local mais aconchegante e confortável que o hospital.

Na segunda-feira, 28 de julho, com 39 semanas e um dia, acordei e observei que estava perdendo o tampão. Como tinha consulta marcada para o início da tarde fui ao medico que confirmou minha suspeita, mas recomendou que só observasse e ficasse de repouso. Afinal, algumas mulheres podiam demorar a entrar em Trabalho de parto após este fato. A consulta correu normalmente e meu médico só solicitou que eu realizasse um ultrassom com Doppler e agendou uma nova consulta para o dia 01/08. Fiquei pensando nossa vai demorar mesmo, ele marcou até retorno. Marcelo me contou que depois que ganhei Elisa o Dr disse a ele que naquele momento eu já tinha 1 cm de dilatação e que não me  falou para que eu não ficasse ansiosa.

Passei a segunda-feira com cólicas durante o dia,mas fiquei tranquila…fui pra drenagem linfática, dei uma voltinha no shopping…de boa e ao final da noite observei que havia picos de dor em alguns momentos. Notei que durante a noite comecei a ter contração, todavia sem ritmo algum. Mais ou menos 11 horas da noite, entrei em contato com a minha enfermeira (Lara) que me pediu que a informasse quando tivessem ritmo.

Fui dormir. A tentativa foi em vão. Poucos minutos depois observei que o ritmo já existia… 40 em 40, 30 em 30 minutos. Liguei para meu medico que pediu que o mantivesse informado a respeito da evolução do trabalho de parto. Liguei para a Lara novamente, minha enfermeira querida, e ela perguntou se eu queria que viesse para minha casa e eu disse que não. Me sentia tranqüila, com domínio da situação, a dor . Trinta minutos depois, 3 e meia da manhã as contrações eram de 20 em 20 minutos e novamente entrei em contato com a Lara e daí sim pedi que viesse para minha casa, ela chegou às 4 da manha. Queria que alguém confirmasse que eu estava em trabalho de parto. Confirmadíssimo!

Daí por diante tudo foi muito rápido… Andava de um lado para o outro, tomava banho, deitava , ficava na bola de Pilates… Lara ia monitorando os batimentos do bebê a cada 30 minutos. Cada vez que ela ouvia os batimentos, o coração de Elisa estava mais para baixo e ela dizia que ela estava descendo, estava evoluindo. Ela estava nascendo e nos ficávamos animados. A madrugada foi de dor, vômito, calafrios… Entendi a razão pela qual muitas mulheres pedem uma cesárea. Eu não queria fazer isso, estava convicta da minha decisão e iria até o fim.  Às 6 da manha Lara fez o primeiro e único exame do toque: 6 cm de dilatação. Ela estava nascendo. Nesta hora entrei em contato com meu médico e o informei. Ele falou que estava na hora de irmos para o hospital.

Tomei um banho para me arrumar para ir para o hospital, mas já não queria sair do chuveiro, as contrações incomodavam muito. Fiquei letárgica, não queria mais reagir. Queria que acabasse logo. Nem sei quanto tempo fiquei no chuveiro quando chegou a hora em que a Lara disse:

– Lud precisamos ir agora, senão  ela vai nascer aqui e não nós preparamos pra isso.

A partir deste momento tudo ocorreu muito rápido. Saímos de casa depois das oito horas, pegamos um engarrafamento terrível. Meu esposo furou todos os sinais, andou na faixa exclusiva para ônibus, andou acima da velocidade oficial da via praticamente o tempo todo. Não vamos nos surpreender se chegarem algumas multinhas. Eu sabia que havia chegado no limite da dor enquanto estava no carro. Não demoraria muito mais…

Quando chegamos ao hospital já nem conseguia mais abrir os olhos praticamente. Estava na partolândia. O parto tinha passado a ser um estado de espírito!

Assim que meu marido parou o carro na porta do pronto socorro meu médico ligou e perguntou onde estávamos. Meu marido respondeu que estávamos entrando no PS, o médico solicitou que assim que fosse realizado o exame de toque que o informasse, pois ele já estava esperando na sala de parto. Meu marido esqueceu o carro aberto. A enfermeira tentou medir minha pressão em vão. Tentaram achar uma veia para colocar sorinho, ocitocina, sei lá…em vão. Eu não conseguia ficar parada mais e não queria nada. Até que a ginecologista do plantão chegou para me avaliar. Ela fez o toque e deu um grito nas enfermeiras. “Parem tudo…ela não precisa de nada na veia, o bebê está coroando e vai nascer agora.” Eu só conseguia repetir que tinha médico e queria que chamassem ele. Enquanto isso, meu médico ligava para meu esposo que não percebeu que o telefone tocava.

A doutora ia fazer o parto na emergência quando a enfermeira disse que o elevador havia chegado e podíamos descer correndo para o bloco cirúrgico . Todos saíram correndo comigo na maca.

Ao passar pelos corredores uma enfermeira gritou que me levassem para a sala do parto cesárea e eu disse:

– De jeito nenhum…vou ganhar minha filha de parto normal. Ela começou a gritar:

– Parto normal! Parto normal!

Neste momento meu médico que já estava no bloco cirúrgico ouviu e procurou saber quem era a paciente. A médica da emergência já havia começado a me preparar para o parto, quando meu médico chegou, conversou comigo, me acalmou e me orientou. Não me lembro quanto tempo se passou. Sei que foi pouco. Só sei que umas quatro forças depois nossa Elisa nasceu com 3,495 kg, 51 cm e chorando. Um chorinho calmo…

Minha pequena veio para o meu colo, me olhou assim que ouviu minha voz, enchendo nossos corações de alegria.  Fiquei olhando para ela e pensava em como Deus faz as coisas de forma perfeita, em como Deus é perfeito. Me senti a super mulher. Realizei meu sonho do parto normal sem sorinho ou ocitocina.

Minha pequena mamou em seguida…que maravilha!

Quando cheguei no quarto meu pai me perguntou:

– E aí valeu a pena filha? Vai querer ter outro filho assim?

E eu disse:

– Valeu a pena cada momento, cada sensação e o próximo, se Deus permitir, nascerá da mesma forma.

Por |2017-06-07T12:23:08+00:0029 de setembro de 2014|Artigo|