Nascentia comemora hoje!

Nascentia   •   junho, 2017

Nascentia hoje está em festa! Hoje, dia 3 de junho, comemoramos 1 ano da nossa oficialização enquanto empresa. Comemoramos também esse mês 3 anos que a Nascentia nasceu (dia 26 de junho)!
Foram dois anos de namoro, de experimentação, desafios, aprendizados, ajustes, choros e risos! Foi tudo muito rápido, sem pensar muito para não ter o risco de desistirmos no primeiro obstáculo. E aos poucos nos ajustando, prestando muita atenção nas devolutivas de cada família que muito nos ensinou como cuidar dentro do modelo da humanização, mas na percepção de quem recebe o cuidado! E não baseado em práticas e conceitos prévios.

E depois de avaliar qualitativamente os nossos trabalhos, paramos para avaliar também os números. Principalmente após 1 ano do projeto Nascentia Multiprofissional, um sonho antigo! O projeto ainda está em via de ajustes e de aperfeiçoamento, mas os resultados são animadores e, particularmente, um orgulho (abaixo mostraremos esses números)!!!

O projeto inicial da Nascentia partiu da idealização das enfermeiras obstetras em oferecer uma assistência à gestação e ao parto do jeito que a família desejava: com menos intervenção e violência, com mais afeto e gentileza, e sem deixar a segurança fora do seu lugar pertinente. O parto domiciliar planejado parecia ser a resposta, a solução para muitos casos! Fomos em frente com nosso propósito! E assim seguimos e muitos casais conseguiram traçar seus planos e tiveram seus bebês em casa, como desejavam. Mas, como esperado, algumas mulheres precisaram da assistência médica e hospitalar, e foram transferidas para a assistência especializada. Algumas se frustraram com a experiência pois nem todas tinham um médico “backup” e a grande maioria queixou da equipe de plantão dos hospitais.

Esse ponto foi crucial para ampliarmos o nosso projeto! Para esses casais e para aqueles que não sentiam segurança com o parto domiciliar, mas desejavam um parto respeitoso também, idealizamos a ampliação da equipe com médicos obstetras para completar a assistência. Assim, o pré-natal poderia sem melhor acompanhado para prevenir alterações, promover a saúde e tratar oportunamente qualquer alteração. O parto seria melhor assistido porque não seria solitário e sem suporte de equipe. As chances de seguir com o parto normal seguro aumentaria. O pós-parto também seria melhor acompanhado no apoio à amamentação e vigilância do puerpério e do bebê. A pediatra e as enfermeiras neonatais também seria um excelente suporte para os primeiros dias em casa (e depois com todo o programa de Crescimento e Desenvolvimento – CD).

E assim, iniciamos nossas buscas por profissionais que compartilhavam dos nossos ideais e do nosso modelo de atenção. E montamos uma equipe médica (obstetras e pediatra) e de enfermeiras obstetras e neonatais para a Nascentia. Construímos programas de cuidado e assistência integral e completo (da gestação até o pós-parto e CD). Negociamos a oferta do serviço mais acessível! E assim, todos os profissionais acordaram ajustar os valores de seus serviços de modo a oferecer um programa completo e acessível à família.

Equipe de Médicos e Enfermeiras Obstetras

Equipe de Enfermeiras Obstetras e de Acolhimento

Equipe de Pediatria e neonatologia

Foi um pouco estranho no começo para muitos casais entenderem a proposta tão diferente da tradicional:

  • consultas de pré-natal intercaladas entre médico e enfermeira;
  • assistência ao trabalho de parto ainda em casa e em sintonia com o médico;
  • assistência ao parto hospitalar compartilhada entre médico e enfermeira;
  • seu médico de sobreaviso para o PD, atento e trocando ideias com as EOs, e quando necessário, apenas mudar de set de parto, onde a equipe toda junta seguiriam o mesmo modelo proposto no ambiente hospitalar.

De um modo geral, a Assistência Pré-hospitalar (APH), mesmo antes de ter a equipe multiprofissional de retaguarda, trouxe benefícios para as mulheres. A internação hospitalar oportuna no trabalho de parto foi o “grande lance” para diminuir as chances de intervenção como condução, analgesia, toques vaginais, cesariana (necessária ou desnecessárias), o cansaço e a exaustão no trabalho de parto (principalmente na fase final) e aumentar a satisfação com a experiência. Entretanto, muitas vezes, ao internar a mulher, a entrada da EO não era permitida, ou a assistência compartilhada muito menos era uma possibilidade. Presenciávamos condutas que poderiam ser adiadas ou negociadas, ou condutas desprovidas de utilidade para o caso. As mulheres sabiam que não poderíamos intervir ou questionar as condutas médicas e do hospital (isso sempre ficou muito claro), mas sofríamos muito com essa falta de diálogo e pensamos muitas vezes em até desistir… Mas temos que pensar que estar junto com a mulher nessa hora é melhor do que ela estar só… Mas não era o suficiente! Não deveríamos simplesmente aceitar… E não precisava ser assim, pois todos queremos o melhor para a mulheres e seus bebês (mesmo que cada profissional tenha um modelo ou uma forma de fazer).

E então, com a equipe multiprofissional, o caminho ficou mais leve e mais seguro para todos, mulher, bebê e até para os profissionais da equipe. Trabalhar em dupla num parto realmente faz muita, muita diferença! Não tínhamos noção do quanto! No PD já acontece o compartilhamento das avaliações, das dúvidas, dos receios, dos medos e das condutas. Sim somos humanos, e temos medo! Parto nem sempre é como descrito nos livros, os sinais nem sempre são claros para taxarmos como “isso é normal” ou “isso já está saindo do esperado”. O timing da ação depende de uma sabedoria não literária, mas muito instintiva também… É aí que o parceiro a assistência traz o assistente principal para o eixo da organização novamente. “Isso é só um sentimento! Está tudo bem!” Quantas vezes escutamos ou falamos isso!!! E assim, não foi diferente nos partos hospitalares. A humildade de cada médico da nossa equipe, a abertura para o compartilhar, o olhar curioso para saber como acostumamos ver e fazer diferente em cada situação… E vejam só, nem encontramos tanta diferença assim! Descobrimos que fazemos muito igual. Descobrimos que fazemos pouco, fazemos quando necessário! E assim, fomos quebrando mais um paradigma, fomos construindo um novo modelo de atenção que abrange mais dimensões.

E foi então que essa percepção tomou uma forma mais concreta! Vamos aos números!

Nesse um ano de trabalho em equipe, cuidamos ou ainda estamos cuidando de cerca de 130 casais. Nesse um ano, foram 60 partos (domiciliares e hospitalares) que aderiram ao programa em equipe. Esses atendimentos foram integrados e assistidos desde a gestação. A taxa de cesariana dentro da equipe Nascentia foi 11,6%! Taxa essa abaixo da recomendada pelo Ministério da Saúde (15%) e da meta da ANS (<45%) e muito abaixo dos nossos indicadores locais. No Brasil, a taxa de cesariana no setor suplementar de saúde foi de mais de 85% em 2009. Nossa taxa está também abaixo da média dos países de primeiro mundo como Holanda, Noruega, Finlândia, Islândia e Bélgica (4 a 18%). Veja o quadro abaixo:

As indicações da cesariana foram o estresse fetal (sofrimento fetal agudo) não resolvido com manobras naturais e apresentação pélvica em trabalho de parto (apresentação não resolvida após acupuntura e versão cefálica externa).

Nessas taxas estão incluídos todos os Partos hospitalares e as transferências dos partos domiciliares que contaram com o médico da equipe como referência. Ou seja, mesmo transferindo, a chance de terminar o trabalho de parto melhor monitorado foi alta!

Nosso objetivo não era somente aumentar as chances de um parto normal, mas também evitar as intervenções desnecessárias como cesariana e indução, como também a necessidade de analgesia (veja taxas no quadro acima).

Quando houve indicação de interrupção da gestação, foram propostas primeiramente as terapias naturais e a acupuntura. E em seguida, as manobras mecânicas (descolamento e balão) e depois, as medicamentosas.

Acupuntura para indução do parto

Grupo de Casais no Chá de Parto

Da mesma maneira, objetivamos (casal e profissionais) reduzir a necessidade de analgesia (que por sinal é uma ferramenta maravilhosa quando bem indicado e bem executada). Propomos da mesma forma, os recursos naturais inicialmente, e apostamos nas vivências e oficinas como CHÁ DE PARTO e HIPNOPARTO.

Grupo de gestantes na Oficina de HipnoParto

Sobre os partos domiciliares planejados nesses 3 anos: foram 66 nascimentos maravilhosos! A taxa de transferência foi de 31%. Entre as indicações de transferência não emergenciais: bolsa rota prolongada (mais de 18 ou 24h) sem trabalho de parto, mesmo com nossas induções naturais; alteração da vitalidade fetal; trabalho de parto prolongado com risco de exaustão materna. E entre as emergências: um caso de hemorragia pós parto não resolvida (retenção placentária) e um caso de desconforto respiratório do bebê por dificuldade de transição após trabalho de parto taquitócico. A taxa de tranferência está acima das taxas brasileiras, mas acreditamos que a segurança por não sofrer violência obstétrica após a transferência e a retaguarda da equipe médica para monitoramento e conduta mantendo o mesmo modelo de atenção levam as EOs e casais se sentirem mais seguros, confiantes e confortáveis com a transferência.

Cuidamos, enfim, nesses 3 anos, de mais de 250 famílias!!
Muita honra! Muito aprendizado!
E estamos apenas começando!Muitos projetos maravilhosos ainda estão a caminho!

Registros: Mari Cardoso, Joana Hoffman e arquivo pessoal

Por |2017-08-04T10:14:32+00:004 de junho de 2017|Artigo|