Assistência e Cuidados da Enfermeira Obstetra no Parto Hospitalar e Domiciliar

Nascentia Blog   •   fevereiro, 2016

Reiniciaremos nossas rodas com gestantes, casais grávidos e família grávida de 2016, neste mês. Nessa primeira, no dia 23/2, falaremos sobre o funcionamento da assistência prestada pela Nascentia no acompanhamento do trabalho de parto em casa e no parto domiciliar. Essas duas assistências têm como objetivo principal diminuir as chances da ocorrência das práticas intervencionistas no trabalho de parto, além de proporionar um nascimento mais harmonioso, gentil, mas garantindo, entretanto, a segurança do bebê e da mãe durante todo o processo.

Vamos adiantar aqui um pouquinho sobre esse assunto, mas trazendo olhares para os conflitos e as estratégias de busca pelo parto e nascimento como desejamos. Trazemos aqui, ainda, a visão e os recursos empregados pelas enfermeiras obstetras da Nascentia. Ou seja, um pouco da filosofia além da técnica. Assim, você pode conhecer um pouquinho do que somos!

Se por um lado, os novos casais (não todos, mas muitos deles) buscam, atualmente, um parto sem intervenções, por outro, muitos obstetras estão inseguros e receosos com essa nova demanda desalinhada ao seu modelo usual de assistência. O conceito de parto seguro para muitos profissionais (e aqui não falamos só dos médicos, mas também de todos os outros da área da saúde) é aquele que está cercado de noções de que a “melhor defesa é o ataque”! Noções de que a prevenção é na verdade um “tratamento precoce” diante de qualquer possibilidade de risco. E como não existe risco zero…. Por isso o pensamento de que um médico deve estar presente (e atuante!!) num parto, e de preferência dentro de um hospital com UTI disponível.Porque o entendimento, a lógica é outra!

Sabemos, entretanto, que práticas calçadas na formação profissional tradicional não significam práticas mais adequadas ou mais salutares. Sabemos, pelas evidências científicas atuais, que muitas delas são e muito prejudiciais. E é aqui que parece ser o maior problema: uma dificuldade, de muitos, em se ajustar ao modelo de atenção onde suas próprias práticas devem ser continuamente revistas, onde o profissional é mobilizado a estudar e mudar sempre! Esse não era o costume… Por isso, tão difícil, talvez… Outro costume: eles detinham o “poder do saber”… e assim, do controle, de um lugar quase mágico! E agora, todos os saberes estão acessíveis e disponíveis. Há tempos, buscamos maiores informações antes de ceder ao primeiro tratamento cirurgico proposto por um cirurgião! Saímos de um lugar sem controle, sem poder de decisão, sem autonomia e sem reponsabilidade pela nossa saúde! É uma nova Era! Uma Era de relações longitudinais!!! Relações de poder estão se desestruturando! Polos hieráquicos se desmantelando….

Se para uma ponta o “parto seguro” é aquele cercado de intervenções e para a outra ponta é aquele que ocorre naturalmente, sem interferências, então é inevitável a ocorrência dos conflitos nas relações entre pacientes e médicos/profissionais de saúde/família e sociedade!!! E aqui cabe um adendo: não é nosso foco discutir os extremos das defesas, ou seja daqueles que agendam (médicos e casais) cesáreas eletivas ou aqueles (profissionais que buscam o parto natural a qualquer custo!). E nem estamos constestando o direito de escolha de cada um aqui, porque ainda assim, são escolhas! E é exatamente esse o ponto! Escolhas!!!

Os movimentos pela humanização do parto e pela não violência têm conscientizado essa nova geraçãode pais sobre como nos informar para escolher, para decidir! Trazendo a responsabilidade para nós, também, sobre os resultados e desfechos de nossas escolhas! Isso deveria ser visto como algo desejável, porque diminui um pouco o peso das decisões de um lado só da relação! Ou não, né? “Porque o homem da capa preta não vai pensar assim! Vou ser condenado porque só EU poderia saber o que era melhor para o meu paciente!”. Será mesmo?? Nâo sabemos ainda….

O que sabemos é que , vivemos, nesse momento, uma busca frenética pela maior participação do casal grávido nas tomadas de decisões sobre o parto e nascimento de seus filhos. É esse novo perfil de “cliente/paciente” (até esses termos já são questionáveis!) que está chegando aos consultórios de pré-natal e nas emergências obstétricas. Só que as transformações de muitos profissionais em relação ao modelo de cuidado não vem caminhando no mesmo rítmo que os nossos (“nossos” referindo aos profissionais e casais que defendem o modelo natural e autônomo).

E onde gostaríamos de chegar com toda essa alusão aos conflitos sociais, profissionais e relacionais? O problema não está na luta entre duas forças que brigam para sobreviver e se perpetuar! O problema está no “objeto” desse cuidado: a mulher e seu filho em desenvolvimento! A mulher e seu filho que se preparam para a experiência mais extraordinária, mais intensa de suas vidas! A grande passagem da vida para a vida! Em suas multidimensões (física, afetiva, psíquica, social, religiosa, fenomenal etc) que jamais se repete! Experiências únicas, que não voltam! Ficam eternamente, gravadas em seus corpos e suas almas, a passagem gentil e amorosa ou o ataque violento e traumático!

E é nesse olho do furacão, dos conflitos externos e internos, que se encontra a mulher gestante (e seu novo ser), muitas vezes bem vulnerável e cansada pela busca incessante do seu parto ideal (ideal não quer dizer romântico, mas sim, em paz…). Os caminhos e as alternativas para ter essa paz para parir são limitadas e difícieis! Algumas mulheres e casais “optam” (entre aspas, porque não se trata só de opção, mas também de condição) pelo parto domiciliar planejado (que falaremos a seguir) e outras, pelo parto hospitalar, com seu médico do pré-natal ou pelo médico da emergência de um hospital particular ou no hospital público (sem contar, as casas de partos que sao poucas em números e pouco acessíveis, dependendo do lugar).

Independentemente de seu planejamento de local de parto, o que muitas mulheres buscam, então, é parir em paz, sem intervenções desnecessárias. Para as que vão ter seu bebê em casa, já contamos, a priori, com maiores chances de ter um parto com menos intervenção, e mais próximo do parto e nascimento que buscam (o parto ideal, que neste caso pode ser bem idealizado mesmo e bem pouco real….). O profissional que presta essa assistência (ao parto domiciliar planejado) geralmente apresenta um modelo de cuidado menos intervencionista e mais respeitoso, sem a pressa de findar o parto. Também tem um olhar mais voltado para a natureza, para a fisiologia, para o momento sagrado da passagem da vida, e menos foco no risco e na necessidade da intervenção. Esse é o nosso olhar! E Essa é a nossa missão! Prezar pela natureza e zelar pelo cuidado quando se faz necessário! Assim, nos apresentamos! E assim apresentamos nosso trabalho!

As Enfermeiras Obstetras da Nascentia são habilitadas para a assistência ao parto de risco habitual e para as tomadas de condutas nas intercorrências. Na ASSISTÊNCIA AO PARTO DOMICILIAR, seu papel primordial é a vigilância contemplativa! Seu movimento é de aproximação e distanciamento, de acordo com o espaço, o tempo e a necessidade. De longe, observa a natureza agindo, respeitando os momentos de transformação pessoal e familiar, enquanto o corpo se movimenta para a entrega (de si e do bebê). Se aproxima, periodicamente, para uma observação mais detalhada do processo ou, quando demandada para outros cuidados. Essa é a postura fenomenológica das parteiras da nascentia, de aproximação e de distanciamento, de pessoal e de profissional. Em nenhum momento julga ou arrisca! Em nenhum momento é inflexível ou radical! Buscamos a harmonia e a fluidez do campo relacional no cenário do nascimento. Todos são importantes ali para a segurança e o desfecho do nascimento.

Para embarcar nessa jornada, a equipe de enfermeiras da Nascentia abre o campo com o casal, com a família e com todos os envolvidos para que, juntos, analisem onde é o melhor lugar para o nascimento do bebê (o que chamamos de elegibilidade para o parto domiciliar: risco gestacional, acesso da residência, tempo de encaminhamento para o hospital, conhecimento e segurança do casal, etc.). Apreendemos, então, a motivação para o parto domiciliar e o que buscam com essa escolha. E, estando todos em harmonia, traçamos as estratégias e logítica, elaboramos plano de cuidados e plano de contingência. E então, iniciamos o pre-natal (que falaremos em outro post) de imediato para que a relação de confiança e cumplicidade se estabeleçam precocemente, além de possibilitar cuidados preventivos de problemas impeditivos do parto em casa. Passamos longos dias e períodos vivendo o parto, nascimento e maternidade. Passamos pelo dia “D” e nos encantamos com os grandes desafios, com os desapegos e transformações para que um bebê, uma mãe e uma familia nasçam! Vivemos a intensidade do puerpério! Mais aprendizado! Mais crescimento!! E muitos desafios!!! E muitos encantos!

E assim, segue-se até 30 dias após o parto! E esse, para a equipe Nascentia, é o dia mais importante para o nosso crescimento. É quando perguntamos “como podemos melhorar”?

Quando “entregamos” uma família nova, também recebemos uma Nascentia Nova!

Ah… o parto em casa!!! sem interferências, sem rotinas, sem protocolos, sem muitas mãos!!! Ah…. esse sim é o cenário ideal para o meu parto e nascimeto, ne???

Será? Nem sempre… não para todos! Não nesse momento! A decisão pelo parto em casa envolve muitas dimensões, muitos ajustes, muita mudança, e nem todos estão preparados ou possibilitado ou precisam desse tipo de experiência! É uma trajetória de passagem específica! O que aprendemos: não somos nós que buscamos por essa passagem, é ela que vem até nós! Quantas vezes vivemos histórias que o casal buscou por essa história, mas a história que era para ser vivida e contada, era outra bem diferente…. O que aprendemos também: é difícil aceitar isso… como é difícil…. E outras histórias incríveis de luta, sem condições a priori de viver esse sonho

Mas não é imperioso um nascimento em casa para que o parto seja natural, sem intervenções desnecessárias, ou para que possibilite uma experiência incrível, mesmo porque a percepção da vivência do parto e da ideia de “intervenção desnecessária” são plenamente subjetivas!!!! O que serve e é bom para mim, não necessariamente é para você! Não é mesmo?

O que importa é o quanto estamos todos seguros com as escolhas. A sensação de segurança é imprescindível para apagar a parte racional do nosso cérebro e permitir que a parte instintiva atue para parir! Então, o local e o tipo de parto tem peso diferente para a sensação de segurança para pessoas diferentes! Saibamos acolher isso!

Então para as famílias que se sentem mais seguros num hospital, oferecemos uma assistência transitória, onde ficamos a parte inicial em casa, antes de ir para o hospital. Chamamos de Assistência Pré-hospitalar do trabalho de parto.

Nessa assistência, a enfermeira obstetra da Equipe Nascentia realiza uma avaliação inicial e um planejamento do cuidado ainda na gestação (por volta das 35/36 semanas); e fica disponível para esclarecimentos de dúvidas e consultas para novas avaliações até o dia do trabalho de parto (por telefone, whatsApp, ou consulta presencial).

No dia do trabalho de parto, na fase latente ou prodrômica, mantem monitoração à distância ou, quando necessário, faz uma avaliação em domicílio ou no consultório para identificar e confirmar o trabalho de parto, objetivando identificar a fase e diminuir a ansiedade do casal, além de repassar os planos de cuidado.

Confirmando o trabalho de parto, a enfermeira obstetra manterá a vigilância do bem estar do bebê, avaliando periodicamente os parâmetros da vitalidade e dos mecanismos fetais compensatórios, além de avaliar a evolução do trabalho de parto (contrações uterinas, tônus uterino, perdas transvaginais, sinais vitais, etc.), buscando identificar o seguimento fisiológico do processo ou desvios da normalidade ou alterações/riscos. A enfermeira também oferecerá suporte para o conforto (alimentação, recursos para alívio da dor, higiene) da mulher durante as contrações e estimulará o companheiro nessa “tarefa” também.

As informações sobre as avaliações podem ser enviadas para o médico obstetra responsável em forma de relatório, e dessa forma planejarem juntos as próximas condutas. E no momento oportuno, a enfermeira auxiliará na remoção para o hospital, acompanhando o percurso até o hospital. Chegando na emergência, passará as condições para o médico responsável e solicitará a sua permanência até a finalização do parto e pós parto-imediato, onde poderá manter o apoio na fase final do trabalho de parto e parto, bem como apoiar a primeira amamentação e auxiliar na vigilância do periodo do pós-parto imediato.

Em torno do terceiro dia após o parto, a enfermeira obstetra realiza uma consulta de enfermagem em domicílio novamente para avaliação da puérpera e do recém-nascido, avalia e orienta o processo de amamentação e os cuidados com o bebê.

A importância desse tipo de acompanhamento, como uma estratégia efetiva para o apoio ao parto normal, reside em dois pontos cruciais: o tempo de internaçao (menos intervenções) e a assistência extra-hospitalar da fase mais longa do trabalho de parto (mais conforto, menos cansaço e menos ansiedade), descritos abaixo:

Primeiro ponto: tempo de trabalho de parto dentro do hospital! A internação tardia do trabalho de parto leva a uma ilusão (no bom sentido) do tempo em que a mulher está em trabalho de parto (mesmo que o médico saiba, e ele vai saber porque você deve contar, do tempo em que você está em trabalho de parto ativo). O profissional não estava com você, até então. É a partir da internação que o tempo vai começar a ser contado realmente para as possíveis intervenções. Estando o bebê bem, ele provavelmente vai deixar seguir o trabalho de parto (ou não! mas aumentamos as chances dele seguir se comparado com a sua chegada precocemente).

Com o adiantar da fase do trabalho de parto, a tensão do profissional será também adiada, exatamente pela alteração desta percepção de “demora” da evolução do trabalho de parto. Vale ressaltar aqui, o que eleva a tensão do profissional: a sobrecarga de trabalho e a responsabilidade pelo atendimento de toda a demanda que chega na emergência e ainda pelas outras pacientes já internadas. Sem contar as jornadas duplas, triplas de trabalho. Outra nota válida: as experiências negativas em suas vidas acadêmica e profissional podem ofuscar a pequena chama da confiança na natureza humana, e levam a ancorar no porto seguro da tecnologia (que pensam e decidem por nós!). É bem fácil entender o porquê de tanta tensão e de tanto medo! E então, é bem fácil entender (não aceitar!) como ocorrem as intervenções desnecessárias ou necessárias, a depender de qual polo da relação você se encontra: do médico ou da parturiente, dos intervencionistas e dos naturalistas.

Como dissemos, quanto mais cedo se chega ao hospital, no trabalho de parto (nos pródromos ou no início da fase ativa), maiores as chances de ocorrerem intervenções para conduzir ou acelerar este parto, devido à percepção do parto como um evento de risco (para o bebê, para a mãe e para o próprio profissional!). Em um determinado momento, a tensão e o medo do profissional vão pesar (a nossa também, não nos enganemos!). E saiba que esses sentimentos podem ser bem reais e pertubadores para quem os sente! Acredito que a maioria dos profissionais tem boa intenção! Têm verdadeira preocupação. Uma boa parte pode ter outras razões…

E quando menos se espera, nos deparamos com as interenções que veêm em casacata:

– uso de ocitocina sintética e rotura artificial das membranas amnióticas para acelerar o trabalho de parto,
– uso de analgesia sem antes tentarmos os recursos naturais ou alternativos, para facilitar as manobras de redução do colo, diminuir o estresse, diminuir o tempo de trabalho de parto (menor resistência), contanto que mantemos um bom motor (com a ocitocina),
– manutenção de posições supinas para maior “controle e vigilância” do processo,
– não oferecimento de dieta para prevenir problemas com a anestesia, caso tenha que fazer uma,
– realização de puxos dirigidos e episiotomia para diminuir o tempo de expulsivo e agilizar o nascimento,
– clampeamento precoce do cordão e retirada do bebê da mãe logo após o nascimento para prestar a “assistência preventiva” de uma transição extrauterina ineficaz, e etc. etc. etc.

Não cabe aqui julgar muito nenhum desses procedimentos e rotinas porque fazem parte de protocolos alicerçados na nossa cultura, na formação médica e dos demais profissionais da sáude. Nós mesmas fomos formadas no modelo hospitalocêntrico e intervencionista. Mas algo nos moveu para o mundo de fora, questionando tanta falta de confiança na natureza e tamanha valorização da tecnologia, mesmo para gestações de risco habitual.

Então, é um processo muito mais pessoal, de uma visão de mundo, do que somente de uma busca pelas melhores evidências para as nossas práticas profissionais. Sabe por quê? Porque vemos muitos médicos, enfermeiros, entre outros profissionais, forçando sua natureza, tentando se colocar nesse espaço, porque simplesmente gostariam de estar nele! Mas na verdade, não estão ainda!!!

Lá na frente, se algo se desviar, ou se o trabalho de parto não se estabelecer de maneira redondinha, pula-se rapidinho desse espaço para o outro, ocupado anteriormente. Mas já é um começo! Vamos ver por esse lado.

Sabemos, entretanto, que para entrar nesse mundo, temos que estar prontos para quebrar paradigmas internos! Sair da caixinha envolve deixar nossa zona de conforto para lutar contra todos e tudo, e contra nós mesmos, 24horas por dia! Esse movimento é feito por nós até hoje! Por isso, não nos sintimos à vontade para culpar quem está nesse lugar ainda… mas já o fizemos! já brigaos muito! Já gastamos muita energia em vão, até percebermos que podíamos caminhar pela tangente, margeando sem conflitos nesse momento, que merece ser especial (porque temos outros espaços para essas lutas!).

Enfim, esse é nosso contexto atual, um dia talvez mude e acreditamos que mude!!! Já está mudando. Mas até lá, o que podemos fazer para lidar de maneira saudável com o que temos ao nosso alcançe? Como parir em paz?

A resposta é, então, para quem vai parir no hospital (qualquer que seja ele), chegar no hospital e estar sob os cuidados médicos e rotina hospitalar o mais tarde possível. O tempo de internação é mais crucial do que a fase em que a mulher chega no hospital. O relógio andando pesa nos ombros daquele que aprendeu que as contrações do trabalho de parto e o parto trazem sofrimento e risco para o bebê. Há uma associação mental direta, para muitos profissionais, entre o tempo de trabalho de parto e o tempo de sofrimento e de risco. E para que arriscar mais, se o mais seguro é esse bebê nascer logo? Essa é a conexão cerebral! Um condicionamento muito bem estabelecido que leva uma ansiedade que beira ao pânico (sem exageros!) de muitos profissionais assistentes do parto (vejam aqui, não falo só do médico!). Que tal aliviar essas tensões??? Que tal todos pegarmos leve??

“Ok! Entendido! Chegar no momento certo no hospital! Mas… como saber em qual fase estou”? Muitas mulheres tem dificuldade em reconhecer e diferenciar a fase prodrômica da ativa, mesmo porque é bem tênue o limite entre uma fase e outra. Muitos casais também ficam inseguros quanto ao momento certo e temem estar arriscando não estar no hospital e ter uma avaliação médica. Aqui reside o segundo ponto crucial levantado acima!!

O monitoramento da vitalidade do bebê e da evolução do trabalho de parto por um profissional do trabalho de parto é essencial para a segurança desse bebê e da mãe. Ir até o hospital para avaliar pode nao ser a melhor estratégia devido ao desconforto de sair e voltar para casa e pela tentação em ficar no hospital logo. Se o profissional pode fazer esse monitoramento em casa, então você estará segura e confortável, juntamente com sua família, para seguir até o momento oportuno. Temos que ter em mente que os riscos para a mãe e para o bebê durante o parto não estão somente no período expulsivo ou no pós-parto, mas também durante todo o trabalho de parto. Por isso a necessidade da vigilância constante, a partir da fase ativa do trabalho de parto.

De qualquer maneira, as chances de um problema ou um emergência acontecer numa gestação a termo e de risco habitual nessa primeira fase são mínimas!!! Mas não sabemos se seremos a regra ou não. O papel da Enfermeira Obstetra, então, será portante de VIGIAR, de identificar os problemas, precocemente, e encaminhar para o hospital em momento oportuno.

Ahhh, e não é só isso…. não acabou!! E como lidar agora com nosso medos internos? Escuto com o coração e com outros sentidos essas reflexões:

– ” Será que vou dar conta?? Busquei tanto! Defendi tanto!! Briguei até com minha familia e amigos defendendo o parto normal! Acho até que me tornarei uma ativista! Mas agora, que está próximo o momento… vem o medo da dor, medo de não dar certo, medo de ter feito a escolha errada, medo do medo… Mas eu sei que o parto normal é o melhor para mim e para meu filho! Mas parece que estou sozinha nisso tudo! Não sei se vou conseguir! Acho que não sou tão empoderada assim….”

Hummm, enfermeira também não é garota super poderosa, não! rsss Uma boa dose de doula pode FAZER TODA A DIFERENÇA!!!

Cada mulher merece estar cercada de apoio! Família e profissionais qualificados e sensíveis favorecerão os melhores caminhos para uma final que não sabemos e que não temos controle! Mas, serão os melhores caminhos!!!

Um grande abraço!

Lissandra, Lara e Letícia.

Por |2017-08-04T11:06:04+00:0020 de fevereiro de 2016|Artigo|