Afinal, o que é esse tal de “Baby Blues”?

Nascentia Blog   •   março, 2016

Mãe e criança, pintura de Gustav Klimt (1862-1918)

Quem nunca encontrou uma mãe, recém-parida que ora está rindo e feliz e logo depois está “chorosa” estressada ou triste, no puerpério?

O pós-parto, também conhecido como puerpério, é um período de alterações biológicas, psicológicas e sociais. Esse período pode ser um dos mais intensos vida da mulher, onde se misturam sentimentos de alegria, realização, felicidade, amor, mas também de cansaço, medo, ansiedade, insegurança e até tristeza. Por isso, o puerpério é considerado a época da vida mais vulnerável para a ocorrência de crises psiquicas, dificuldade emocionais e até transtornos psiquiátricos.

Em torno do terceiro dia após o parto, a maioria das mulheres apresenta o que se denomina Baby Blues. O aspecto lábil do blues é bastante conhecido pelas mães, e caracteriza-se basicamente pelo sentimento de tristeza, crises de choro, emotividade exacerbada, hipersensibilidade e labilidade. Podem ocorrer ansiedade, fadiga e preocupações excessivas com a lactação e com a saúde do bebê. Pode haver ainda, distúrbios cognitivos leves, como dificuldade de concentrar-se, dificuldade de raciocinar e problemas com a memória e o choro fácil, mas não chegam a impedir a realização das tarefas pela mãe, mas as tornam pesadas e difíceis.

Segundo os estudos clássicos, este quadro apresenta prevalência entre 50 e 80% das puérperas, com média de 66,7% dos casos. É uma condição benigna que dura de alguns dias a poucas semanas; e é considerada a forma mais leve dos distúrbios de humor do pós-parto. É de intensidade leve, não requerendo em geral uso de medicações, pois é auto-limitado e cede espontaneamente. Por essa razão, o “tratamento” do pós-parto blues consiste em esclarecimento, compreensão e apoio familiar, sobretudo do pai do bebê! Provavelmente, devido ao seu caráter benigno, não tem sido uma condição muito estudada, valorizada e respeitada.

É fundamental esclarecer que a possibilidade de um Blues puerperal evoluir para um quadro de depressão pós-parto propriamente, num escalonamento de gravidade, é tido como remota, muito rara! Um caso típico de depressão pós-parto já se instala com características mais severas e intensas, apesar de comumente estes quadros serem confundidos no início de suas manifestações, sendo distinguidos posteriormente, pela manutenção e intensidade dos sintomas, para além das duas semanas preconizadas para o blues puerperal.

Não tenha medo ou vergonha, peça ajuda do marido, dos familiares e amigos…e se estiver muito pesado, peça ajuda de um psicólogo especializado em obstetrícia!”

Esse será nosso tema na próxima roda! Falar sobre isso é a melhor forma de enfrentar “isso”!

Por |2017-07-06T20:39:56+00:007 de março de 2016|Artigo|